Do dilema das vedações com selantes e limitações do sistema ventilado à solução definitiva em polímeros para ambientes agressivos.
Durante décadas, o mercado brasileiro de construção civil manteve-se fiel a métodos de instalação de painéis de ACM (Aluminum Composite Material) que pouco evoluíram em termos de eficiência e sustentabilidade estética. Em grandes obras, o padrão absoluto foi o sistema de bandeja vedada, caracterizado pelo uso de silicone neutro e tarugo de polipropileno (delimitador de profundidade). No entanto, o que antes era visto como uma solução definitiva de estanqueidade, hoje é identificado como o principal gargalo para a longevidade e a estética das edificações.
A Evolução do ACM e o Alto Padrão
A estagnação das técnicas de instalação contrasta com o salto tecnológico do material. A chegada de séries texturizadas, como a WeatherXL (leia mais aqui), e de acabamentos premium, como a linha Alusense (leia mais aqui), elevou o status do ACM, inserindo-o definitivamente em edificações de alto padrão. O material também evoluiu em segurança com o desenvolvimento de núcleos resistentes a chamas (FR) (leia mais aqui). Seu uso expandiu-se para além das fachadas, conquistando portas, painéis decorativos e forros internos de luxo. Nesse cenário, o sistema convencional de bandeja vedada mostrou-se tecnicamente limitado para acompanhar tamanha sofisticação.

Instalação com Sistema Dry Click e uso da Série de ACM Alusense da Projeto Alumínio em ambientes internos. Fotos: Johnny Architecture

Sistema Convencional com Silicone Neutro apresenta patologia durante a vida útil (exsudação de óleo) e impregnação de sujidades. Fotos: Johnny Architecture.
O Dilema das Soluções Contemporâneas: Vedação, Colagem e Sistemas Ventilados
Como alternativa ao silicone, o sistema de bandeja rebaixada com colagem em fita dupla face ganhou espaço pelo seu grande apelo visual e minimalista. Contudo, essa solução impõe contrapartidas críticas em larga escala: a instalação é complexa e exige processos rigorosos de preparação de superfície. Em séries texturizadas, nota-se o risco de baixa aderência. Embora o sistema com fita dupla face específica para ACM seja interessante para aplicações pontuais, como portas, torna-se um fator desfavorável em grandes fachadas devido ao alto custo e tempo de execução.

Instalação em Sistema de Junta Rebaixada Sobreposta (Colado com Fita Dupla Face). Fotos: Johnny Architecture
Diante das limitações do sistema vedado, surgiram os sistemas baseados em fachadas ventiladas. O método ventilado, também conhecido como “pino e gancho”, trouxe agilidade ao mercado, mas carece de refinamento estético e possui restrições de uso: não deve ser aplicado em regiões de atmosfera agressiva (como zonas litorâneas), pois deixa expostos os fixadores e as áreas sensíveis do painel de ACM.

Instalação com Sistema de Bandeja Ventilada é o mais rudimentar esteticamente e expõe os fixadores a intempéries. Fotos: Johnny Architecture
O Valor Técnico da Vedação em Ambientes Críticos
É fundamental reiterar que, apesar das limitações analisadas, o sistema de instalação vedada com silicone neutro consolidou-se pelo seu diferencial técnico histórico: a estanqueidade. Contudo, a eficácia absoluta desse método é frequentemente questionada devido ao histórico de infiltrações em diversas obras. A falha na estanqueidade decorre de uma série de variáveis, tais como: dimensionamento incorreto do selante, desalinhamento das bandejas, contaminação do substrato no momento da aplicação, condições climáticas adversas (temperaturas extremas ou umidade elevada) e a negligência no uso de gabaritos para a instalação correta do tarugo de polipropileno.
Em muitos trechos da fachada, a vedação é o fator prioritário, especialmente em instalações horizontais externas onde o ACM atua como cobertura, ou em regiões de alta agressividade ambiental — como áreas litorâneas sujeitas à maresia ou zonas de exploração mineral. Nestes cenários, para evitar patologias precoces, o uso do silicone neutro era a preferência absoluta pela ausência de alternativas viáveis.
A Disrupção Tecnológica: Sistema Dry Click com Estanqueidade
Recentemente, esse cenário de dependência técnica sofreu uma transformação significativa. Em parceria com o segmento de polímeros, a Móduly Solutions introduziu o novo friso da junta do sistema Dry Click em borracha. Esta inovação confere ao sistema a capacidade de estanqueidade, competindo diretamente com o desempenho da bandeja vedada, mas sem herdar suas desvantagens, como a exsudação de óleo dos selantes, juntas desalinhadas, limitação de cores e morosidade na aplicação.
O sistema Dry Click oferece agora agilidade de instalação e versatilidade superior ao método tradicional. Ele garante estanqueidade onde a obra efetivamente necessita, sem alterar os perfis existentes e utilizando tubos de alumínio padrão de mercado, que possuem custo significativamente inferior aos tubos patenteados dos sistemas ventilados tradicionais.

Instalação com Sistema Dry Click. Juntas na cor do ACM. Fotos: Moduly Solutions
Detalhamento dos Sistemas de Instalação
1. Sistema de Bandeja Vedada (Convencional)
- Método: Fixação mecânica de bandejas de ACM com vedação das juntas em silicone neutro sobre tarugos delimitadores.
- Vantagem: Histórico de estanqueidade e proteção contra agentes químicos externos.
- Desvantagem: Exsudação do silicone (gera manchas oleosas e exige limpeza constante), manutenção recorrente (o silicone resseca e racha), acúmulo de sujidade nas juntas e acabamento rudimentar.
2. Sistema de Bandeja Rebaixada (Colagem com Dupla Face)
- Método: Colagem do ACM em subestruturas de alumínio utilizando fitas adesivas de alta adesão (Dfix ACM) (leia mais aqui).
- Vantagens: Estética clean com juntas esbeltas, ausência de parafusos aparentes e minimalismo. Exige menor avanço em relação à parede (ideal para interiores).
- Desvantagem: Procedimento moroso e sensível; exige treinamento rigoroso, uso de promotores de adesão (primer) e ambiente controlado (isento de poeira e umidade).
3. Sistema Ventilado (Pino e Gancho)
- Método: Suspensão dos painéis por ganchos em pinos fixos na subestrutura, permitindo a circulação de ar interna.
- Vantagem: Extrema agilidade na montagem.
- Desvantagens: Baixo refinamento estético (risco de desalinhamento), exposição de fixadores e vulnerabilidade à corrosão em áreas litorâneas (perda de garantia nessas regiões). Não é estanque.
4. Sistema Dry Click (Móduly Solutions)
- Método: Fixação mecânica por peças de encaixe e “click”, dispensando selantes químicos aparentes (leia mais aqui).
- Vantagens: Alta velocidade de montagem (sistema gabaritado), permite dilatação térmica sem deformações e oferece uniformidade entre juntas e módulos.
- Inovação: O friso em borracha permite o uso em coberturas e áreas de maresia com a mesma segurança do silicone, mas sem exsudação de óleo e com opções de cores (deve ser colado, obrigatoriamente, o friso de ACM sobre o polímero).
- Desvantagens: Exige maior precisão do instalador quanto ao prumo e nível da subestrutura. Sistema patenteado.


Instalação com Sistema de Bandeja Vedada com Silicone. Estética e Vedação são prejudicadas se não houver instalação profissional. Fotos: Johnny Architecture
Conclusão
O mercado dispõe hoje de uma alternativa que elimina a dependência de selantes químicos voláteis e a fragilidade estética dos sistemas ventilados tradicionais. O novo paradigma prioriza a longevidade e a eficiência, oferecendo a proteção necessária para ambientes agressivos com uma estética superior e duradoura, consolidada pela tecnologia de juntas de borracha do sistema Dry Click.
*Por Johnny Vieira de Souza – Consultor de ACM e responsável pelo departamento de projetos da Projeto Alumínio.